O enfoque humanista e científico do ensino passa por uma modificação onde o interesse maior é a preparação de uma força de trabalho qualificada voltada à atender desenvolvimento econômico.
Houve então um Parecer que restabeleceria a educação de formação geral com a extinção da obrigatoriedade da da profissionalização. O Ensino Médio passa então a ser responsável pela consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no Ensino Fundamental, podendo o aluno ser capaz de se "adaptar às novas condições de ocupação", não perdurando esta ideia por muito tempo.
Esta ideia inicial foi se descaracterizando ao longo do processo e o Ensino Médio passa a ter a finalidade de "compreensão dos fundamentos científicos-tecnológicos dos processos produtivos". A escola volta então a ter o sentido de formação para o mercado de trabalho.
O Ensino Fundamental e Superior possuem suas diretrizes definidas, já o Médio busca o que? Preparar o aluno para o vestibular e sua vida ingressante no mercado de trabalho? Ou busca inseri-lo na universidade? A questão é que em nenhum dos casos, jovens das camadas populares chegam à universidade pública.
Um assunto já tratados em outros textos e que Saviani (1989) retoma é o conteúdo curricular. Ele ressalva a necessidade de cuidado que se deve ter com a superposição de conceitos, a desconexão entre teoria e prática, etc. Mas isso não o impede de alertar sobre o perigo da adoção de procedimentos educacionais progressistas e inovadores, mas que não alteram a realidade.
Um tema muito bem colocado é com relação aos métodos. Para ele, "seria interessante dar prioridade aos que promovam a relação das dimensões do saber (...) sempre tendo como ponto de partida para a aquisição de novos conhecimentos a realidade do aluno."
Segundo Mészaros, há nesse processo um intercâmbio social que, através da exploração do próprio trabalho intelectual, há a indução dos indivíduos em aceitarem o sistema passivamente, não possuindo a autonomia tecnológica e política em sua formação.
Mas, para a alegria de todos (ou não), muito desse processo de aprendizagem se situa fora das instituições educacionais formais.
Portanto, a educação deveria entrar como um auxiliador para a criação de um sujeito ativo, que produza conhecimento segundo suas necessidades e não nos limites impostos pelo sistema capitalista. Um ser capaz de participar do processo de ensino e aprendizagem de forma consciente.
Deixo aqui um parágrafo do texto que me chamou muito a atenção decido às mudanças atuais na educação:
"Em educação, não se trata apenas de mudança de método, como comumente têm acontecido. Trata-se de uma mudança de concepção por parte dos educadores no sentido de, como mediadores mais experientes nos processos de ensino, promoverem uma educação que se constitua em um processo de emancipação dos indivíduos por eles mesmos."
Thaís Monteoliva

136392
ResponderExcluirTambém me surge (diversas vezes) o questionamento do papel atual do ensino médio (nos modelos de ensino brasileiro). É sabido que a rede privada de ensino, prepara o aluno para o vestibular, fator esse que mostra a claro favorecimento de uma classe para o ensino público (dito como o de qualidade). Ao restante da população, se vê então nas mãos de um sistema falho, que por si só não sabe se definir e que busca (desde de os tempos da ditadura), uma preparação de mão de obra para o trabalho. UMA PENA.....
Pois é, o ENEM é uma prova um tanto quanto sem fundamento se pensarmos por esse lado também. Analisar o Ensino Médio a partir da visão daqueles que possuem um ensino de qualidade privado é uma hipocrisia tremenda.
Excluir